O objetivo é evitar tragédias. A ferramenta é capaz de fazer uma varredura nas imagens de Minas Gerais em menos de duas horas.
Por Laura Marques, CBN — Belo Horizonte
05/07/2021 18h32 Atualizado há 2 anos
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criaram um programa de computador capaz de identificar barragens de minério em grandes extensões territoriais dentro de poucas horas. O software, baseado em inteligência artificial, usa imagens de satélite para encontrar as estruturas. A ferramenta foi criada a pedido do Tribunal de Contas da União, com o objetivo de ajudar os órgãos de fiscalização a encontrar barramentos irregulares e evitar tragédias.
Os rompimentos de barragens da Vale e da Samarco, por exemplo, deixaram cerca de 300 mortos, poluíram o meio ambiente e geraram inúmeros impactos econômicos e sociais. Depois desses dois episódios, os órgãos fiscalizadores identificaram estruturas não registradas ou em risco de ruptura, principalmente em Minas Gerais.
O programa poderá ser usado pelas autoridades para atuar contra esse tipo de conduta. Os pesquisadores usaram imagens de satélite da Agência Espacial Europeia, e da ANA, Agência Nacional das Águas, para ensinar o software a diferenciar barragens de minério e de água. Dessa forma, a ferramenta é capaz de fazer uma varredura nas imagens do território de toda Minas Gerais, por exemplo, dentro de 2 horas.
O coordenador do projeto e professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, Jefferson Santos explica que o programa usa inteligência artificial. “Nós fornecemos para a máquina alguns exemplos do que é uma barragem de minério, assim como eu ensinaria uma pessoa a identificar isso na imagem. E a gente também fornece alguns exemplos do que não é uma barragem, então a máquina consegue discernir, a partir de certo ponto, o que é uma barragem de rejeito e o que não é” detalhou o pesquisador.
O programa criado pela UFMG já foi disponibilizado para o TCU. Entretanto, a ferramenta ainda não foi incorporada na rotina de trabalho do órgão.
O desenvolvimento do software foi financiado pela Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores. A instituição investiu US$ 18 mil na iniciativa, que começou há um ano.